
O Teatro Experimental do Porto tem em cena no Auditório Municipal de Gaia a peça “Do alto da Ponte/A view from the Bridge” de Arthur Miller.
Um ano depois do excelente “A morte de um caixeiro viajante”, Gonçalo Amorim regressa com um dos textos mais marcantes do dramaturgo americano numa versão inédita em dois actos.
Miller escreveu ”Do alto da Ponte/A view from the Bridge” na sequência de uma história verídica mas que evoluiu, sob a sua pena, para uma peça que ao relatar a história trágica do estivador Eddie Carbone mergulha “na natureza do homem”.
Apesar da acção concreta se desenrolar na vida portuária de Brooklyn dos anos 50, são evidentes as leituras comparativas com a actualidade em que a tensão social paira nas ruas.
Para reforçar este toque de “revolução contemporânea ” o espectáculo inclui “Riot Van” dos Artic Monkeys e o encenador esclarece no caderno que acompanha o espectáculo que “O desafio que Arthur Miller nos coloca através da personagem de Alfieri é o de a cada momento repensar o futuro (…) esperamos que a voz de Alfieri seja o transporte de uma certa inquietação que queremos partilhar: a inquietação de um homem da lei, da justiça e da moderação que confrontado com uma realidade em plena e bruta mutação cede, alarmado, à inquietação revolucionária”.
Do excelente elenco recordo Paulo Moura Lopes (o trágico e efusivo Eddie Carbone), Jorge Mota (o Alfieiri que se limita a observar “Do alto da Ponte” ) e Maria João Pinho (excelente como Catherine:a personagem que desequilibra/equilibra? o enredo).
Para o presidente do Teatro Experimental do Porto o encenador Gonçalo Amorim é
“a minha primeira aposta dentro dos jovens criadores do teatro português”.
Com este “Do alto da Ponte” arrisco que a aposta está ganha.
Like this:
Be the first to like this post.